GIULIANO PASSINI

Conversa com o ex-jogador da seleção brasileira de rugby, Giuliano Passini. Ele é o fundador da ALMA RUGBY, iniciativa que busca divulgar os valores dessa modalidade esportiva.

MJournal – O rugby não é um esporte popular no Brasil. Como foi que você conheceu o rugby e quantos anos você tinha?

Giuliano Passini – Eu tinha apenas 13 anos de idade. Meus pais tinham se separado e eu estava muito revoltado. Brigava em casa com minha irmã mais nova. Aliás, sempre peço perdão para ela por essa fase. Mas isso motivou minha tia a fazer com que meus primos, Danny e Marcio, começassem a me levar aos treinos, pois eles já jogavam. A ideia de lidar com alguém do meu tamanho me motivou. Fiquei apaixonado pelo rugby.

MJ – Quando foi que você percebeu que o rugby não era só um passatempo, que estava ficando uma coisa séria?

GP – Sabe Marcelo, eu sou muito chato. Quando me proponho a fazer algo, é para ser sério. Sou muito competitivo, não sei só brincar, entende? Comecei a treinar e desde criança colocava a alma naquilo. Os mais velhos comentavam que eu tinha potencial. Deixei de treinar por um tempo e voltei no primeiro ano de faculdade. Nessa época, fui convocado pela primeira vez para a seleção brasileira e aí não parei mais. Perdia prova mas não perdia jogo, algo que não me orgulho e não quero que seja exemplo, mas é para ilustrar o quanto passei a me dedicar ao esporte.

MJ – Você foi um jogador da seleção brasileira de rugby, conhece essa modalidade intensamente. Como está o rugby brasileiro, estamos evoluindo?

GP – O rugby está começando a ficar conhecido no Brasil. Já existem muitos fãs que nunca jogaram, apenas curtem o esporte mesmo. Hoje as pessoas ainda ficam curiosas quando sabem da minha ligação com o esporte, porém agora o comentário indica que já tiveram algum contato mas não entendem ainda as regras do jogo. Já quando comecei, em 1990, as pessoas ficavam impressionadas e perguntavam se era aquele esporte com cavalo. Confundiam sempre com hockey e polo. Ou seja, o fã está evoluindo e isso é um forte indicador da evolução do nosso esporte.

MJ – O que é preciso para se tornar um grande jogador de rugby?

GP – Excelente pergunta! Para ser realmente um grande jogador de rugby, não basta habilidades físicas e técnicas, você precisa ser um exemplo. Você precisa ser tão bom ou melhor fora de campo do que é dentro. E é isso que busco mostrar para o Brasil, para todos que estão começando a conhecer o esporte. É isso que o rugby pode trazer de positivo para a nossa sociedade. O rugby tem o poder de criar grandes líderes, pois os grandes jogadores de rugby lideram pelo exemplo.

MJ – Quais são os valores que você aprendeu com o esporte que você consegue aplicar no seu dia a dia?

GP – Na minha visão existem cinco valores principais que aprendi. E a aplicação dos mesmos no dia a dia é muito prática. Aprendi que tudo começa com a integridade, agir de acordo com o que se fala, isso gera coerência. Disciplina para focar no que você realmente quer, e estar alinhado com o que acredita. Parece difícil escolher entre um doce ou um treino, mas quando isso  deixa você mais perto do seu objetivo, passa a ser um prazer. Depois enxergo a colaboração e o respeito como os valores principais no convívio com família, amigos, trabalho e em todos os ambientes sociais. E por fim, mas não menos importante, é a diversão. Tudo isso tem que ser divertido, alegre, prazeroso! A vida é muito curta para fazer qualquer coisa que não seja divertido.

MJ – Você nunca se afastou do esporte. Quais são os seu projetos hoje?

GP – Apesar de ter deixado de jogar oficialmente em 2014, não me afastei do esporte. Muito pelo contrário, hoje vivo e respiro ainda mais, pois transformei o meu hobby no meu trabalho. Fundei em 2013 a ALMA RUGBY, uma iniciativa que busca levar os valores éticos do rugby para a vida das pessoas. Na ALMA RUGBY temos 3 pilares que são: o entretenimento, a educação e a moda.

MJ – Um diálogo entre moda e esporte é possível? O rugby vai entrar na moda?

GP – Eu acredito que esse diálogo é possível sim. Tenho investido muito nisso, inclusive com a ALMA RUGBY. Acredito que parte de levar os valores do rugby para a vida das pessoas tenha que ser por meio da moda. É com a moda que as pessoas manifestam seu estilo de vida. Então, eu tenho certeza que o rugby já está entrando na moda.



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