RAMON DUZ DELSIN

O site entrevistou Ramon Duz Delsin, bicampeão sul-americano de Jiu Jitsu.

MJournal – O seu primeiro contato com as artes marciais foi através do judô, e alguns anos depois você migrou para o Jiu Jitsu. Quais as similaridades entre as duas modalidades? O judô preparou você para o Jiu Jitsu?

Ramon Duz Delsin – Ambas as modalidades usam um kimono que é bem semelhante em espessura e tamanho, elas também contam com componentes como força isométrica (pegadas), explosão (entradas e execução de golpes), resistência à fadiga (capacidade de manter o combate em um alto nível de exigência por tempo prolongado). Com certeza o Judô rendeu-me pontos a favor no início, boa base e equilíbrio, certa força e uma breve noção de movimentos que poderiam acontecer no Jiu Jitsu.

MJ – Quais são os seus principais títulos no Jiu Jitsu?

RDD – Sou Bicampeão Sul-Americano, Campeão Brasileiro, Campeão SP Open Peso e Absoluto (Gi e No-Gi), Campeão Paulista Peso e Absoluto. Fora isso tenho pódios em Pan e no World Abu Dhabi Pro.

MJ – Em qual escola você aprendeu a lutar e quem é o seu mestre, quem guia e prepara você para as competições?

RDD – Venho de uma pequena escola que tem raízes do Carson Gracie, depois disso passei por mais duas outras escolas e faz três anos que eu me estabeleci na maior escola de Jiu Jitsu do mundo, a Alliance. Minha maior referência é meu mestre Fábio Gurgel, ele me ensina coisas que vão além de técnicas, lições e competições de Jiu Jitsu. Sou abençoado por ter não somente ele como meu tutor, mas por estar cercado das melhores pessoas que existem nesse ramo, todos contribuem demais comigo.

MJ – Você se interessa pelo MMA?

RDD – Essa é uma pergunta que muita gente me faz, acho uma modalidade completa, empolgante e que chegou para ficar. Porém não tenho interesse de lutar, creio que se houvesse interesse eu precisaria mudar totalmente minha agenda de treinos, pois no nível de profissionalismo que esse esporte se encontra, o Jiu Jitsu me ajudaria e muito, mas não seria o suficiente.

MJ – Você divide o seu tempo entre treinamentos, campeonatos e alunos. Quando você decidiu começar a ensinar, e o que você mais cobra dos seus alunos?

RDD – Dar aulas é algo que comecei a fazer pois precisava incrementar minha renda. Decidi que poderia fazer isso a partir do momento que estudava Jiu Jitsu quase que o dia todo (vídeos, lutas, entrevistas). Com relação a cobrança, é algo delicado pois cada um ali dentro busca um propósito, alguns querem perder peso, outros querem aprender uma defesa, outros querem se distrair após um dia estressante, alguns poucos querem ser campeões mundiais. Para mim, o básico e fundamental é o respeito e a vontade de aprender, se você possuir esses 2 ingredientes, com certeza vai longe em qualquer que seja seu caminho. Com o tempo, identifico o perfil de cada um, também avalio o aluno sempre que chega para a aula, alguns estão mais animados e outros nem tanto, minha intenção neste ponto é fazer com que ele entregue tudo que pode dar para a aula. Então a exigência é diferente para cada um e em cada dia, mas no final meu maior interesse é fazer com que os alunos saiam melhores do que entraram.

MJ – O Jiu Jitsu possui muitos golpes. Qual o golpe que você considera o mais difícil de executar e por que?

RDD – O Jiu Jitsu é muito complexo, o cenário competitivo é muito presente e acaba por modificar regras quase que o tempo todo. Com as mudanças de regras, abre-se uma margem para modificações de posições ou mesmo criação de novas situações.
Todos os anos surgem novas técnicas e/ou maneiras de executar as que já existiam de forma diferente, na minha opinião não existe posição difícil, ela só não foi treinada (repetida e estudada) como deveria ser. Qualquer posição é boa, só depende de quem está usando e em qual contexto.

MJ – Qual o próximo campeonato que você planeja participar?

RDD – Tenho algumas metas para esse ano, no último final de semana de abril vou buscar meu bicampeonato brasileiro e depois, no início de junho, vou atrás do mundial na Califórnia. No segundo semestre terei o Sul-Americano e mais alguns Open aqui no Brasil.



Comments are closed, but trackbacks and pingbacks are open.