EDUARDO MARTINS

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À FLOR DA PELE.

POR NINA KELLER

Se você trombar com o fotógrafo Eduardo Martins, 30, na rua, com sua calça jeans larga, boné pra trás, e seu skate no pé, nunca iria imaginar que em alguns dias ele estará na Faixa de Gaza fotografando as zonas de conflito. Se você trombar Eduardo na rua, passaria longe de imaginar que esse homem saudável, com pinta de surfista, é sobrevivente de uma grave leucemia que o deixou doente por 10 anos. Hoje, curado há 3 anos, mora em Nova York, mas passa meses na África e Oriente Médio retratando feridos, refugiados, e cobrindo notícias para veículos como The New York Times, Newsweek e Chicago Tribune.

Nina Keller – Como começou a fotografar?

Eduardo Martins – Aos 18 anos tive leucemia, tipo LMA, e estou realmente curado faz quase 3 anos. Nesse início de ano tive que voltar a tomar alguns remédios para controle da doença, ou melhor, auxiliar na remissão do câncer, devo tomar por mais um ano e parar.
Quando você passa por algo assim, tudo se torna muito mais valioso e intenso em nossas vidas. Eu sempre tive um espírito muito forte de compaixão dentro de mim, creio que devido ao câncer.
Sempre tive muita vontade de voluntariar ao redor do mundo, principalmente nas zonas de conflito onde a necessidade de ajuda é muito grande. 

Ano passado fui morar em Paris, onde realmente comecei a trabalhar como fotógrafo. Logo em seguida fiz uma viagem a África, onde conheci o trabalho da CSD, uma organização da P&G que leva água para países com problemas sociais. 

Comecei a trabalhar como humanitário na organização e assim viajar a lugares em conflitos territoriais, ou seja, África e Oriente Médio, e pude unir a fotografia e o lado humanitário.

ferido em gaza 2

ferido em gaza

Nina Keller – Após ver as fotografias que Eduardo tirou na Faixa de Gaza perguntei: Eduardo, você é maluco? Não tem medo de bomba, de tiro?

Eduardo Martins – Não, só tenho medo do câncer. Passei tanto tempo doente em uma cama, que hoje tenho sede de viver, gosto da adrenalina à flor da pele, me mantém vivo por dentro. Não tenho medo de nada, só de ficar doente.

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siria

criancas em gaza

criancas na somalia

Quando pedi para ele uma foto de perfil para ilustrar a matéria, ele logo mandou uma surfando, seu esporte preferido. Sempre que pode ele viaja para surfar e curtir sua saúde, nas ondas ou nas ruas de Paris e Nova York, com seu skate.

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No meio do ano vai realizar uma exposição fotográfica em New York e talvez Paris.
No começo do ano que vem quer lançar seu primeiro livro com relatos fotográficos da Palestina. O título está em pauta, mas provavelmente será – Humanidade x Terrorismo.

Conheça mais o trabalho do fotógrafo no: www.eduardomartinsphotographer.com

Todas as imagens foram cedidas pelo fotógrafo.