MAXIMILIAN MAGNUS

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Entrevista com Maximilian Magnus Schmidbauer (1984, Unteregg, Alemanha)
Por Julia Clemente

Julia Clemente: Quando você começou a pintar?

Maximilian Magnus: Desde pequeno convivi com a pintura – meu pai trabalhou anos com a produção de cenários, principalmente para produções teatrais. Foi esta também a minha formação, em Baden Baden, na Alemanha, e posso dizer que minha carreira artística começou aí.

JC: Você continua pintando cenários para palco?

MM: Não, hoje em dia tenho focado mais na minha produção pessoal. Mesmo assim, muitas das minhas pinturas são tão grandes que caberiam perfeitamente em um palco de teatro. Rs.

JC: Esta é sua primeira vez no Brasil?

MM: Não, vim para o Rio de Janeiro há 4 anos por uma semana para passear de férias.

JC: Como foi tomada a decisão de vir ao Brasil?

MM: Fui indicado por uma amiga para fazer uma residência artística em São Paulo. Antes não planejava vir ao Brasil, mas o convite surgiu e logo aceitei.
Por que o Brasil? Acho que era para ser….

JC: Você acha que o Brasil influenciou o seu trabalho? Se sim, de que maneira?

MM: Sim, com certeza, de muitas maneiras!
É possível ver uma grande diferença no uso de cores nos meus trabalhos produzidos no Brasil. O rosa ou vermelho, por exemplo, são cores que eu não utilizava com frequência na Alemanha. O Brasil me trouxe uma maneira mais relaxada, menos rígida de trabalhar, e assim, passei a dar mais liberdade ao meu trabalho, me permitir mais. Posso dizer que meu trabalho sofreu várias mudanças que trouxeram resultados estéticos diferentes dos anteriores, mas elas foram, primeiro de tudo, mudanças internas que aconteceram em mim e que passaram para a minha produção de maneira natural.

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JC: Você é uma pessoa muito sensível – acredito que estas mudanças irão acompanhá-lo de volta para a Alemanha e talvez até tomar novas formas com o passar do tempo, você não acha?

MM: Claro, as mudanças internas são muito importantes e trazem vários resultados. Provavelmente se você me refizer a pergunta anterior daqui a alguns meses eu vou respondê-la com mais exemplos!

JC: Na sua exposição individual em São Paulo, que abriu na semana da SP Arte, havia uma sala com dois trabalhos em vídeo. Você já tinha trabalhado com vídeo antes?

MM: Não nunca, foi a primeira vez e foi completamente experimental para mim!

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JC: Podemos então dizer que este também foi um dos resultados trazidos pela experiência no Brasil, correto?

MM: Sim. Como falei, o Brasil me trouxe a liberdade para experimentar novos suportes no meu trabalho. Os vídeos foram com certeza algo muito novo para mim e pretendo continuar trabalhando com vídeos daqui para frente.

JC: Os dois trabalhos em vídeo mostravam você interagindo com duas figuras públicas brasileiras. No primeiro a atriz Mariana Ximenez e no Segundo a modelo Lea T. Isto foi proposital?

MM: Hum, sim e não. Me tornei amigo e gosto muito tanto da Mariana quanto da Lea, duas pessoas que conheci durante a minha estadia no Brasil, e que são muito especiais para mim. A escolha de cada uma delas para colaborar comigo nos trabalhos em vídeo foi proposital, mas não pelo fato de serem pessoas públicas. Isto acho que foi acidental. De qualquer forma, talvez por isto, elas foram muito profissionais e se entregaram profundamente ao trabalho, o que tornou a experiência muito legal.

JC: Você desenvolveu algum outro projeto em colaboração com artistas brasileiros?

MM: Meus trabalhos de colagem, por exemplo, foram inspirados em alguns trabalhos do fotógrafo brasileiro Rogério Mesquita. Estou desenvolvendo um grande projeto com a Mariana (Ximenez), com a cantora Lia Paris e com mais duas pessoas. Ainda não posso comentar muito a respeito, mas quando o projeto tomar mais forma eu conto! Rs.

JC: Você voltaria ao Brasil?

MM: Sim, com certeza! Estou pronto para voltar para casa depois de quase 4 meses no Brasil, mas quero muito manter uma relação com este país. Adoraria participar de mais exposições aqui.

JC: Ótima notícia! Rs.

Fotos Cassia Tabatini